Festa

Marcio Abreu

Historicamente, muitos movimentos de esquerda associaram-se a manifestações populares que, além de políticas, eram culturais, tais como o Carnaval, as festividades operárias do Primeiro de Maio ou outros eventos ligados à resistência contra regimes autoritários. Essas celebrações são, ao mesmo tempo, momentos de expressão identitária e resistência criativa.
A festa simboliza um espaço de liberdade e criação coletiva, onde hierarquias podem ser subvertidas e novas possibilidades de convivência social podem ser experimentadas. As esquerdas históricas apropriaram-se da festa como uma forma de reafirmar valores como a igualdade, a diversidade ou como uma maneira de reivindicar espaços para o prazer ou para o lúdico. O ato de celebrar, para além da óbvia, necessária e simples diversão, é político porque carrega o potencial de nos mobilizar em torno de ideais compartilhados e de gerar uma sensação de comunidade.
Porém, à medida que as dinâmicas culturais são incorporadas pelo mercado e reapropriadas pelas estruturas conservadoras, a festa também se pode tornar num campo de disputa. Nesse cenário, a esquerda precisa recuperar a ideia de festa, pois esta é uma ferramenta poderosa para conectar política, afetos e emoção. A celebração, quando vinculada a causas do mundo, permite que possamos viver, na prática, os valores defendidos conquistados nas muitas revoluções da história.
Assim, a festa como património inalienável da esquerda não é apenas uma tradição, mas é, sobretudo, uma estratégia de renovação. Celebrar é resistir, criar e sonhar coletivamente com um mundo diferente. É essa capacidade de articular luta e alegria que a esquerda precisa resgatar e preservar, mantendo vivas as raízes culturais e políticas que a tornam tão vital.

  • Dramaturgia e encenação: Marcio Abreu
  • Interpretação: Grace Passô, Gonçalo Amorim, João Miguel Mota, Yuck Miranda
  • Pesquisa, criação e produção: TEP - Teatro Experimental do Porto, cia. brasileira de teatro
  • Interlocução e colaboração criativa: Rui Pina Coelho, Francisco Mallmann, Laura Pouso
  • Cenografia e figurinos: Catarina Barros
  • Desenho de luz e assistência de direção: Nadja Naira
  • Direção musical e música original: Felipe Storino
  • Direção de Produção: Nuno Eusébio, Cássia Damasceno, José Maria
  • Coprodução: Teatro Experimental do Porto, companhia brasileira de teatro, Teatro Nacional D. Maria II, Teatro Nacional São João

Duração: 90 min.

Classificação etária: M/18

Preço: € 12.00


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